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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Confissões de um atleta

Aconteceu assim. Num belo dia de treino - daqueles treinos que mais parecem de atletismo do que de natação, dadas as distâncias nadadas - eu cheguei para a professora à beira da piscina e confessei:
 - Eu roubei no treino!
Primeiramente acho que ela ficou embasbacada - o que tem a ver um marmanjão fazer um comentário desses? Ela até sabia que os treinos estavam bastante pesados mas e daí?
Roubar no treino é uma lembrança que carrego comigo desde os tempos de infância. Mas eu sempre fui muito Caxias e me recordo muito de meus amigos fazendo suas "otimizações" por conta própria. Isso me custava caro, pois eu acabava ficando mais tempo no treino enquanto alguns poucos saíam mais cedo para tomar sol ou conversar. Não citarei nomes aqui para não provocar um furor na multidão... rsrsrsrs.
Voltando ao ocorrido esta semana, continuei a me explicar:
 - Roubei pra mais. Ao invés de fazer os 7200m eu fiz 8 mil! Roubei na sequência x e nos tiros y - eu lhe dava os detalhes.
Ela riu e disse: - Tem que internar mesmo! Não tem jeito.
Acabei gostando da ideia e "roubo negativamente" cada vez mais. Sempre que posso, dou um algo a mais que, espero, vá me ajudar no meio daquele riozão sem fim.
Roube negativamente você também. Em tudo o que você faz, dê aquele "plus adicional a mais". O mundo agradece!


sábado, 13 de agosto de 2011

Ralando

Não conheço fórmula mágica para se atingir um grande objetivo: tem que "ralar" bastante. No esporte, como na vida, o tempo conta contra você. É a teoria do pau-de-sebo: se você parar de subir, começa imediatamente a descer.
Ao assumir como objetivo nadar os 170 Km eu já imaginava o preço a pagar. Ele vem em suaves prestações.
Você começa acordando de madrugada para nadar cedinho, antes do trabalho. Não importa de faz 5 graus quando você sai de casa numa manhã de inverno - você vai e pronto.
E, ao chegar na piscina, tem que "sentar o braço". Por mais solitário que seja o treino, tem sempre um cronômetro por lá para te acompanhar. Ele faz toda a diferença, pois ele te mostra como você realmente está - sem firulas. Seu desempenho depende apenas de você. Seu sucesso ou seu fracasso também.
Também acabaram seus finais de semana e viagens também.
Seus filmes prediletos no final da noite? Esqueça - você tem que dormir cedo.
E aquele café da manhã com um lanchinho maravilhoso? Nem pensar, pois a digestão dos frios não te deixam nadar direito.
Sabe aqueles dias em que você acorda e não está a fim de ir? Esqueça - não tem opção - você tem que ir!
E aqueles dias em que você trabalhou como um condenado e ainda tem que treinar? Também não tem escapatória. Essa rotina é desgastante, mas é a única maneira de vencer se você tem recursos limitados - recursos de tempo, de condicionamento físico, de idade, de organismo, etc.
É como dizem: "O sucesso é doce, mas costuma ter cheiro de suor."

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

11111

O dia de hoje foi especial. Fiz o maior treino em piscina desde que comecei a treinar para encarar a travessia no Velho Chico. Para quem estava quase parado há dois meses, considerei um bom resultado! Foram 11.111 metros.
O requinte do número é coisa de engenheiros. Mas o fato é que eu consegui fazer o treino padrão do Agnaldo, num total de 7200 metros. Ao final, sentia-me bem o suficiente para dar uma leve complementada de mais 3800 metros - numa puxada só. Depois, era só soltar mais uns cem metros - foi quando percebi a proximidade do número mágico. Pedi pra Dani, nossa querida instrutora, para medir 5 metros e meio ao longo da piscina. Ela não entendeu nada e, é claro, achou que eu estava "tirando uma da cara dela".
Essas mulheres! Sempre desconfiadas!
Eu saí nadando até os 5,5 metros, dei uma virada sem parede e voltei, completando os 11 metros faltantes. Aí ela entendeu onde eu queria chegar e, ao saber do volume nadado, não hesitou em comentar:
- Já liguei pro (Hospital Psiquiátrico) Bezerra de Menezes. Quando você sair da Atlantis, eles estarão te esperando lá fora. Não adianta resistir...



A nadadeira e o casamento

Como já dito anteriormente, fiz uso frequente das nadadeiras de modo a continuar meus treinos sem exigir demais das articulações. Nadar com as nadadeiras é ótimo - o treino rende, você acaba mais rápido, você se motiva com seus tempos, fica mais imune à ondulação da água, se aproxima do pessoal mais rápido que você, etc. No entanto, não são somente rosas - no meu caso, elas começaram a machucar os pés, mais especificamente o esquerdo, devido à fricção num ponto exatamente ao lado do tornozelo.
Numa situação dessas, o que fazer? Bem, eu usei um curativo no pé, que já estava em carne viva. Depois de uns 500 metros, o curativo soltou - é claro que iria soltar, né pedro-bó! A coisa estava pegando. Como é possível que uma interferência tão pequena pudesse causar tamanho transtorno?
A segunda opção - emergencial e com os instrumentos de que dispunha - foi usar o mesmo curativo anexado desta vez à nadadeira. Até que durou bem mais e funcionou pelo resto do dia. Mas não passou disso.
No dia seguinte fui nadar de meia - que coisa horrorosa aquela! Protegia o pé, mas também ajudava a lacear a nadadeira. Não gostei da solução, mas funcionava! Difícil foi fazer a professora parar de rir...
Os dias iam passando e a metragem se acumulando. Ao longo de todas essas horas, um pensamento me ocorreu - afinal de contas, nadador pensa no quê durante todas essas horas de treino?  - que uma pequena interferência, se não resolvida, pode gerar grandes problemas pela regularidade e frequência que ela ocorre. Assim ocorre no casamento - se algumas pequenas coisas não forem resolvidas, aquilo fica atritando, atritando até assumir grandes proporções e consequências impensáveis. Filosofei demais, não é?
Acho que isso é assunto para um terapeuta de casais.
Mas eu não vou a nenhuma terapia!
Então é melhor deixar pra lá e voltar a nadar - quem sabe outro dia me aparece uma inspiração menos filosófica e mais pragmática!

Todo começo é difícil

Imaginem a situação: eu estava a menos de 3 meses daquela que seria uma das mais duras travessias de que já participei e estava me recuperando de uma sinusite que me deixou uns 3 meses fora d'água. Comecei a nadar feito um  leão. Bom, leões não nadam, né? Quem sabe se eu dissesse "como um leão marinho" - ficaria melhor? Talvez a analogia fosse mais válida, não só pelo meio aquático deste último como por suas notáveis características adiposas das quais compartilhava com fartura.
Sair da imobilidade para um treino de volume não é tarefa simples. Eu rampei muito rapidamente - em questão de duas a três semanas já me arriscava a fazer alguns (poucos) treinos perto dos 5 ou 6 Km diários. Sem muito ritmo e com tempos ainda muito longe do desejado. Não precisa nem dizer que o ombro não aguentou. Meu ombro esquerdo já é conhecido por ser mais susceptível aos esforços repetitivos da natação. Mas a receita para a correção também já era-me conhecida: exercícios de rotação do manguito com o elástico, mudança de lado na cama para não apoiar o ombro dolorido, nimesulida e o principal e mais difícil de fazer: mudança do estilo.
A mudança do estilo demanda do atleta conhecer suas limitações para buscar contorná-las. No meu caso, toda vez que rodava o braço esquerdo fora d'água ele fazia um "crock". Era desanimador, mas era verdade. Acabei por estudar algumas variantes do estilo crawl que me permitiram melhorar a posição - abrindo mais a braçada e rotacionando mais o corpo. Mas isso exigiu mais de um mês de experimentação e observação até conseguir se acertar.
Palmar nunca mais. Usei muito da nadadeira para aliviar a demanda dos braços. Mas há contraindicações, como demonstrarei no próximo blog.
Em resumo, se fosse moleza, era só sentar no pudim...